Sumário
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Salvando leitura…
Densidade num ponto e probabilidade numa distância respondiam a perguntas diferentes

O centro e a casca mais provável

O átomo de hidrogênio e seus orbitais

O orbital 1s surgiu como uma névoa esférica que decaía exponencialmente. Sua amplitude era proporcional a e^(−r/a0), onde a0 é o raio de Bohr corrigido pela massa reduzida. A densidade |ψ1s|² era máxima exatamente em r=0, junto ao núcleo.

Lia estranhou. Se a densidade era maior no centro, por que os livros chamavam a0 de distância mais provável? Tomás desenhou cascas esféricas. Uma casca de raio r e espessura dr tem volume aproximadamente 4πr²dr; perto da origem, esse volume encolhe para zero.

A probabilidade radial era 4πr²|ψ1s(r)|². O fator r² venceu o início da exponencial e fez a distribuição atingir seu máximo em r=a0. Assim, o ponto de maior densidade e a casca de raio mais provável não eram a mesma pergunta.

A probabilidade de encontrar o elétron exatamente num ponto ideal de um espaço contínuo é zero, mesmo onde a densidade é máxima. Probabilidades finitas pertencem a volumes. Dizer ‘o elétron está mais provavelmente no núcleo’ confunde densidade local com probabilidade de uma região sem volume.

Para estados s, a amplitude não precisa desaparecer no núcleo. Isso influencia efeitos sensíveis à densidade nuclear, como estrutura hiperfina e certas correções relativísticas. O próton real também possui tamanho finito; o potencial 1/r pontual é uma aproximação extremamente boa, não a palavra final.

Tomás comparou ⟨r⟩, o máximo da distribuição radial e a0. Para 1s, esses números relacionados não coincidem todos: a distância média é 3a0/2, enquanto o máximo radial é a0. Uma única expressão chamada ‘tamanho do átomo’ precisa declarar qual medida usa.

Lia atravessou a casca luminosa sem encontrar uma parede. A distribuição não tinha borda; decaía continuamente. O endereço quântico permitia regiões mais e menos prováveis, mas recusava o contorno rígido que ilustrações escolares às vezes desenham ao redor do átomo.

Fontes desta página

  1. Erwin Schrödinger (1926). Quantisierung als Eigenwertproblem — Erste Mitteilung.Annalen der Physik, 384(4), 361–376. Primeira comunicação da mecânica ondulatória, formulando a quantização como problema de autovalores e aplicando-a ao átomo de hidrogênio.
  2. Alexander Kramida (2010). A Critical Compilation of Experimental Data on Spectral Lines and Energy Levels of Hydrogen, Deuterium, and Tritium.Atomic Data and Nuclear Data Tables, 96. Compilação crítica do NIST de medidas experimentais de linhas, estrutura fina e hiperfina dos isótopos do hidrogênio.
  3. Max Born (1926). Quantenmechanik der Stoßvorgänge.Zeitschrift für Physik, 38, 803–827. Desenvolvimento extenso da teoria quântica de colisões e da interpretação estatística das amplitudes de transição.