Orbitais p em forma de haltere e orbitais d como trevos encheram o quarto. Lia estendeu a mão para tocar um lóbulo, mas atravessou a superfície colorida. O desenho marcava uma isosuperfície escolhida — um valor constante de |ψ| ou uma região contendo certa probabilidade — e não uma parede do átomo.
Mudar o limiar fazia o orbital inflar ou encolher. Caudas exponenciais continuavam além do desenho. Duas imagens do mesmo estado podiam parecer ter tamanhos diferentes apenas porque seus autores escolheram porcentagens ou escalas de cor distintas.
Os harmônicos esféricos Ylm naturais para Lz definido podem ser complexos. Muitos diagramas de química mostram combinações lineares reais, como px e py, orientadas ao longo de eixos cartesianos. Dentro de um subespaço degenerado, diferentes bases descrevem combinações igualmente válidas.
Por isso um conjunto de três orbitais p não era três objetos rígidos já apontando x, y e z em um átomo isolado. A simetria e o ambiente determinavam quais combinações eram convenientes. Campos externos e ligações podiam selecionar orientações e misturar estados.
A cor de cada lóbulo codificava fase ou sinal da parte real, não densidade negativa. Probabilidade permanecia não negativa depois do módulo quadrado. Ainda assim, a fase alterava sobreposições: lóbulos em fase podiam reforçar amplitude entre núcleos; fora de fase podiam criar um nó.
Tomás girou um orbital complexo com m diferente de zero. Sua densidade podia ser simétrica em torno de z enquanto a fase variava com o azimute. Uma imagem apenas de |ψ|² esconderia o fluxo de fase e a informação sobre momento angular projetado.
Lia deixou de perguntar qual desenho era ‘o orbital verdadeiro’. Cada visualização escolhia base, fase, limiar e grandeza exibida. A verdade física estava no estado e nas previsões invariantes para medições declaradas; o desenho era uma janela útil com moldura visível.