O quarto virou um auditório. Para um valor l, havia 2l+1 valores de m. Cada função espacial aceitava dois estados de spin no retrato não relativístico. Assim, uma subcamada comportava 2(2l+1) elétrons: s tinha 2, p tinha 6, d tinha 10 e f tinha 14.
Somar todas as subcamadas l=0 até n−1 dava 2n² estados incluindo spin para uma camada hidrogenoide. Essa contagem explicava números recorrentes, mas átomos multieletrônicos não mantinham todos os orbitais de mesmo n degenerados como o hidrogênio.
Repulsão eletrônica e blindagem alteravam energias. Orbitais penetrantes passavam mais tempo perto do núcleo e sentiam carga efetiva diferente. A ordem de preenchimento surgia de um problema autoconsistente, não apenas da capacidade geométrica das cadeiras.
Lia tentou sentar elétrons individualmente em caixas. O diagrama de caixas era uma contabilidade útil de spin-orbitais, mas o estado real continuava antissimetrizado. As setas não eram partículas distinguíveis ocupando móveis; codificavam uma configuração aproximada.
Em subcamadas parcialmente preenchidas, reduzir repulsões e explorar troca favorecia padrões descritos pelas regras de Hund em muitos átomos. Elas organizavam estados de menor energia sob condições específicas, sem substituir um cálculo completo de interação e acoplamento.
Configurações como 1s²2s²2p⁶ resumiam ocupações dominantes. Um estado exato podia conter mistura de configurações, especialmente quando níveis estavam próximos. Espectros revelavam essa mistura por energias, intensidades e desdobramentos.
Tomás apagou os números das cadeiras e manteve apenas a capacidade do espaço de estados. A tabela periódica começava a aparecer, mas ainda não como uma sequência mecânica infalível. O auditório mudava de forma à medida que cada novo elétron entrava.