O Arquivo comprimiu uma caixa cheia de elétrons ideais. Mesmo a temperatura zero, nem todos podiam ocupar o estado de momento mais baixo. Os estados foram preenchidos até uma superfície de Fermi, deixando energia cinética coletiva acima do mínimo de uma partícula.
Reduzir o volume espaçava mais os estados permitidos em posição e elevava os momentos necessários para acomodar a mesma multidão. A energia passou a depender fortemente da densidade e produziu pressão de degenerescência sem exigir calor ou colisões clássicas.
Lia imaginou elétrons empurrando-se por uma força de Pauli. Tomás corrigiu novamente. A pressão surgia da contagem de estados fermiônicos e da dependência da energia com o volume. Repulsão elétrica podia coexistir, mas não era a origem desse termo ideal.
Em metais, a estatística de Fermi organiza quais elétrons respondem perto da energia de Fermi; em anãs brancas, a pressão de degenerescência eletrônica ajuda a sustentar a estrela contra a gravidade. Regimes e interações diferentes exigiam modelos próprios.
A conexão spin–estatística de Pauli, formulada em 1940 no contexto relativístico, explicou por que partículas de spin seminteiro usam anticomutação e estatística fermiônica sob hipóteses fundamentais. O princípio deixava de ser regra isolada de espectros atômicos.
A analogia de cadeiras ainda ajudava a contar ocupações, mas não explicava a dinâmica nem a relatividade. Estados não são assentos materiais, e a superfície de Fermi vive no espaço de momentos. A pressão era derivada da energia do estado coletivo.
Lia soltou a caixa e ela se expandiu. Uma restrição de simetria produzira efeito mecânico macroscópico. A multidão não precisava de nomes nem choques para resistir à compressão; bastava que sua função de onda recusasse ocupações repetidas.