Sumário
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Uma atração efetiva fraca reorganizou a superfície de Fermi inteira

Pares maiores que a distância entre elétrons

Bandas, semicondutores e supercondutividade

Leon Cooper mostrou em 1956 que, acima de um mar de Fermi, uma atração arbitrariamente fraca podia ligar dois elétrons em estados correlacionados. Em metais convencionais, vibrações da rede fornecem a atração efetiva apesar da repulsão elétrica.

Em 1957, Bardeen, Cooper e Schrieffer construíram um estado coletivo de pares com momentos e spins opostos. Os pares não eram moléculas compactas independentes; em muitos supercondutores convencionais, seu tamanho excedia muito a distância média entre elétrons e eles se sobrepunham.

A condensação abriu um gap para excitações. Espalhamentos comuns não conseguiam degradar suavemente a corrente sem criar excitações acima desse custo energético e perturbar a fase coletiva.

Lia perguntou como férmions podiam ocupar o mesmo estado. O par tem caráter bosônico coletivo, mas a função completa continua construída de elétrons e respeita Pauli. A sobreposição forte impede tratá-los como bolinhas compostas simples.

A fase macroscópica permitia interferência, quantização de fluxo e efeito Josephson. Circuitos supercondutores explorariam essa coerência para qubits, embora ruído e perdas ainda ameaçassem os estados.

BCS explica extraordinariamente muitos supercondutores convencionais e o efeito isotópico, mas materiais de alta temperatura e outros sistemas não cabem sempre num mecanismo fonônico simples. ‘Todo par é BCS convencional’ seria outra extrapolação.

Os pares atravessaram o metal como um único padrão de fase. A resistência zero não vinha de elétrons evitando colisões por gentileza; vinha de uma reorganização do espectro de excitações e da coerência do estado de muitos corpos.

Fontes desta página

  1. Leon N. Cooper (1956). Bound Electron Pairs in a Degenerate Fermi Gas.Physical Review, 104, 1189–1190. Mostra que uma atração efetiva arbitrariamente fraca acima de um mar de Fermi pode produzir pares eletrônicos ligados e correlacionados.
  2. John Bardeen, Leon N. Cooper e J. Robert Schrieffer (1957). Theory of Superconductivity.Physical Review, 108, 1175–1204. Formula a teoria microscópica BCS em que pares eletrônicos sobrepostos formam um estado coerente com gap de excitação e propriedades supercondutoras.
  3. Wolfgang Pauli (1940). The Connection Between Spin and Statistics.Physical Review, 58, 716–722. Demonstra, sob hipóteses relativísticas, a conexão entre spin seminteiro e estatística de Fermi–Dirac e entre spin inteiro e estatística de Bose–Einstein.