O Arquivo avançou até Chicago, em 1916. Mais uma vez, nenhuma fala privada foi inventada. O que Lia podia observar era o aparato descrito e o artigo publicado por Robert Millikan: metais alcalinos preparados no vácuo, frequências conhecidas e potenciais medidos com cuidado para testar a relação de Einstein.
Durante anos, Millikan aperfeiçoou a experiência. O resultado foi uma relação linear entre potencial de parada e frequência, com inclinação que fornecia h/e. Usando o valor da carga elementar, obtinha-se a constante de Planck em acordo com outros métodos. A previsão sobrevivera a um teste construído para ser quantitativo, não decorativo.
A história costuma ser comprimida numa fábula em que um cético prova contra a vontade a teoria de um gênio. A documentação é mais interessante. Millikan reconheceu a validade extraordinária da equação fotoelétrica e a usou para medir h, enquanto continuou desconfortável com uma imagem corpuscular simples da luz. Dados podem fixar uma relação matemática antes de encerrarem todas as disputas sobre como interpretá-la.
Em 1922, a Fundação Nobel anunciou o prêmio de Física de 1921 a Einstein, destacando especialmente a descoberta da lei do efeito fotoelétrico. A relatividade já o tornara célebre, mas foi aquela lei, rigorosamente testada, que apareceu na justificativa oficial.
Lia voltou à sala das duas lâmpadas. Agora a aparente vitória da violeta tinha uma contabilidade: cada quantum entregava hν; a superfície cobrava φ; a sobra máxima era medida por eVs. Brilho controlava principalmente quantas entregas ocorriam. Frequência controlava o valor de cada entrega.
Ainda assim, a luz não cabia numa coleção de pequenas balas. Ondas continuavam interferindo e difratando. O quantum de Einstein dizia como energia era trocada, mas uma teoria quântica do campo ainda estava por nascer. A natureza não substituíra uma metáfora por outra; obrigara a física a abandonar a exigência de uma imagem clássica única.
A placa metálica se ergueu e revelou uma mesa de colisões. Sobre ela havia um bloco de grafite e um feixe de raios X. Um detector podia girar ao redor do alvo. Tomás colocou no caderno de Lia uma nova grandeza: momento.
— A luz já mostrou que entrega energia em quanta — disse ele. — Agora Arthur Compton vai perguntar se ela também recua como quem participa de uma colisão.