A mesa de busca tinha N cartões e um único marcado. Lia perguntou se um computador quântico era simplesmente mais rápido. O Arquivo devolveu outra pergunta: mais rápido em qual problema, sob qual modelo de entrada, com que probabilidade de erro e medido em quais recursos?
Complexidade assintótica acompanha como tempo, memória, consultas e precisão crescem com o tamanho da entrada. Uma vantagem polinomial pode ser importante; uma exponencial, dramática. Constantes, correção de erros e preparação de dados ainda decidem quando uma implementação real ultrapassa alternativas clássicas.
Tomás separou algoritmo de hardware. Um algoritmo ideal conta portas ou chamadas a um oráculo. Uma máquina física conta qubits, fidelidade, conectividade, tempo de ciclo e repetição. Demonstrar poucas portas num circuito minúsculo não prova vantagem útil em escala.
Também era preciso escolher a comparação clássica correta. Algoritmos probabilísticos, paralelismo, GPUs, pré-processamento e estrutura dos dados podem mudar a linha de base. Comparar o melhor circuito quântico ao pior procedimento clássico cria publicidade, não ciência.
Lia listou problemas sem aceleração conhecida e tarefas onde ler a entrada ou escrever a saída já custa muito. Computadores quânticos não resolvem por decreto problemas indecidíveis, não testam todas as possibilidades e não tornam NP-completo sinônimo de fácil.
Os atalhos reais exploravam estrutura: promessas sobre funções, simetrias periódicas, oráculos consultados em superposição e interferência que concentrava propriedades globais. Sem estrutura, a busca de Grover ofereceria ganho quadrático, poderoso mas não exponencial.
A régua ficou ao lado dos cartões. Lia aceitou três estudos de caso: Deutsch–Jozsa para aprender a linguagem de oráculos, Grover para amplificar uma resposta e Shor para converter fatoração em descoberta de período. Cada atalho traria seu limite impresso.