O painel revelou a equação em sua forma mais compacta: iħ ∂|ψ⟩/∂t=Ĥ|ψ⟩. Lia reconheceu ħ, a constante de Planck dividida por 2π, e viu o tempo na derivada. O lado esquerdo media como o estado mudava; o lado direito aplicava ao estado um operador chamado Hamiltoniano.
O Hamiltoniano representa a energia total e a estrutura dinâmica do sistema. Não é, em geral, apenas um número escrito numa etiqueta. É uma regra linear que age sobre o estado. Para uma partícula em uma dimensão, pode conter uma parte cinética feita de derivadas espaciais e uma energia potencial que depende da posição.
Tomás comparou o papel da equação ao de uma lei de movimento, mas retirou a comparação antes que se tornasse identidade. A segunda lei de Newton evolui posições e momentos definidos. A equação de Schrödinger evolui um vetor de estado ou uma função de onda. As previsões de resultados são extraídas desse estado por regras adicionais.
A derivada temporal aparece em primeira ordem. Por isso, especificar ψ num instante basta para determinar sua evolução futura e passada sob um Hamiltoniano conhecido e independente de intervenção. Não é necessário fornecer separadamente uma ‘velocidade da onda’ inicial, como ocorre em várias equações clássicas de segunda ordem no tempo.
Se Ĥ é auto-adjunto e o sistema é fechado, a evolução preserva o produto interno e, portanto, a norma do estado. Em linguagem geométrica, o vetor gira no espaço de estados sem encolher nem crescer. Essa propriedade se chama unitariedade e será vital para interpretar probabilidades sem que sua soma escape de um.
A equação não descreve todos os regimes físicos em sua forma elementar. Partículas relativísticas, criação e destruição de partículas, campos quantizados e sistemas abertos exigem extensões. Mesmo assim, a estrutura iħ vezes derivada temporal igual ao gerador de energia permanece central em formulações muito mais gerais.
Lia apertou uma tecla e o estado avançou; apertou a inversa e o relógio recuou. Entre medições ideais, a lei era reversível. A irreversibilidade aparente do mundo e a atualização associada à medida não estavam explicadas por esse movimento sozinho. O relógio governava a evolução; ainda não governava o significado de olhar.