Probabilidade não é o estado
Dois qubits podem dar exatamente o mesmo histograma e ainda assim serem estados diferentes. O que os separa é o sinal — e o sinal só aparece quando você faz a pergunta certa.
- Distinguir amplitude de probabilidade
- Explicar por que uma amplitude pode ser negativa
- Reconhecer que o histograma não identifica o estado
2 símbolos novos aparecem nesta aula
Nenhum deles é conta. São formas de escrever — e cada uma tem um jeito de falar em voz alta.
|+⟩lê-se “ket mais”- O estado que está exatamente meio a meio: metade de chance de sair 0 e metade de sair 1. O sinal de mais lembra que as duas partes entram somando — é o que uma porta Hadamard produz a partir do zero.
|−⟩lê-se “ket menos”- Também meio a meio nas chances, mas com o peso do 1 negativo. Medindo, é indistinguível do ket mais: os dois dão 50% e 50%. A diferença só aparece quando outra porta age em cima.
No módulo anterior você viu que a Hadamard não sorteia nada: aplicada duas vezes, ela devolve o exatamente para onde ele estava. Agora a pergunta muda. Se o histograma diz cinquenta por cento para cada lado, isso descreve o qubit por inteiro?
A resposta é não, e essa é provavelmente a ideia mais importante de toda a computação quântica. O que um manipula não são probabilidades: são . A é o que sobra depois, quando você eleva a amplitude ao quadrado.
Elevar ao quadrado descarta o sinal: (+0,707)² e (−0,707)² dão o mesmo 0,5. Ou seja, o histograma joga fora exatamente a informação que distingue um estado do outro. E essa informação não é decorativa — ela decide o que acontece na próxima porta.
Dois estados, um histograma
Existem dois estados com nomes próprios que ilustram isso melhor que qualquer explicação. O primeiro se escreve e tem as duas amplitudes positivas. O segundo se escreve e tem a segunda amplitude negativa.
Repare no que aconteceu. Antes da última porta, os dois estados eram indistinguíveis para a . Depois dela, os dois se tornaram certezas opostas. A diferença estava lá o tempo todo, guardada no sinal, invisível para aquele tipo de pergunta.
Medir é fazer uma pergunta específica, não abrir o estado e ler o que tem dentro. Duas coisas diferentes podem dar a mesma resposta para uma pergunta e respostas opostas para outra.
É por isso que um algoritmo quântico não se resume a preparar uma . Preparar é fácil: uma Hadamard resolve. O trabalho todo está em arranjar os sinais para que, na hora de medir, as amplitudes das respostas erradas se cancelem e as da resposta certa se somem.
