A nova sala do Arquivo parecia simples demais para esconder uma revolução. Havia uma placa de metal polido dentro de uma ampola sem ar, outra placa diante dela e dois fios ligados a um amperímetro. Sobre uma bancada esperavam duas lâmpadas. A vermelha fazia a sala arder de tão intensa. A violeta mal coloria os dedos de Lia.
Tomás acendeu a luz vermelha. O feixe cobriu o metal com uma mancha brilhante, mas o ponteiro permaneceu imóvel. Ele aumentou a potência até Lia sentir calor no rosto. Nada. Quando a lâmpada violeta foi ligada, fraca como um segredo, o ponteiro saltou.
— Mais luz perdeu para menos luz — disse Lia.
— Mais intensidade perdeu para maior frequência — corrigiu Tomás. — São grandezas diferentes. Intensidade mede energia que chega por área e por tempo. Frequência mede quantas oscilações o campo completa por segundo. Uma onda vermelha e uma violeta podem carregar fluxos totais muito diferentes, mas a violeta oscila mais depressa.
A experiência não dizia que vermelho jamais produz efeito fotoelétrico. O resultado dependia do material. Cada superfície impõe um custo energético para liberar um elétron. Em um metal, determinada frequência vermelha pode ficar abaixo desse custo; em outro material, pode ultrapassá-lo. A cor era uma pista para a energia por quantum, não uma senha universal.
Lia aproximou o ouvido da ampola, embora soubesse que o vácuo não lhe entregaria som algum. O amperímetro mostrava que cargas negativas haviam cruzado o espaço. A luz não apenas aquecera a placa ou produzira uma corrente dentro dela. Havia arrancado elétrons da superfície.
No caderno, Lia desenhou os dois controles que governariam aquele capítulo: QUANTOS chegam e QUANTO cada um pode entregar. Depois riscou as palavras. O Arquivo não confiava em rótulos antes de uma medida. Para entender a diferença, teria de aprender a interrogar os elétrons que escapavam.