Tomás colocou nas mãos de Lia um botão marcado INTENSIDADE. A luz violeta atingia a placa e o amperímetro registrava corrente. Ao girar o botão, o feixe ficou mais forte. O ponteiro subiu. À primeira vista, parecia que a física antiga estava salva: mais energia luminosa produzia um efeito maior.
Mas o Arquivo abriu um segundo mostrador. Ele não contava a carga total; mostrava a maior energia cinética entre os elétrons emitidos. Lia tornou a luz dez vezes mais intensa. O primeiro ponteiro subiu, o segundo praticamente não mudou.
Uma onda eletromagnética clássica transporta energia continuamente, e sua intensidade cresce com o quadrado da amplitude do campo. Numa imagem ingênua de absorção contínua, seria natural esperar que aumentar a intensidade permitisse a cada elétron acumular mais energia. O que os experimentos mostravam era uma divisão diferente: acima do limiar, intensidade maior podia liberar mais elétrons por unidade de tempo, enquanto a energia máxima de cada um dependia da frequência.
No retrato quântico mais simples, manter a frequência e aumentar a intensidade significa aumentar o fluxo de quanta. Mais pacotes chegam à superfície em cada segundo, portanto há mais oportunidades de absorção. Como cada pacote continua levando hν, o teto energético de uma absorção individual não aumenta.
A palavra ‘mais’ escondia, assim, duas perguntas. Quantos elétrons saíram? Quão energéticos eram os mais rápidos? A corrente de saturação se relacionava ao número coletado; o potencial de parada, que Lia ainda construiria, revelaria a energia cinética máxima.
Superfícies reais complicavam o desenho limpo. Oxidação, contaminação, orientação cristalina, campos de contato e colisões dentro do sólido alteravam a emissão. Nem todo quantum incidente expulsava um elétron, e nem todo elétron saía com a energia máxima. Ainda assim, a separação entre contagem e energia persistia como a estrutura do fenômeno.
Lia escreveu uma regra no caderno: nunca diga que um sinal aumentou antes de perguntar o que o instrumento conta. Tomás sorriu. A primeira sala ensinara a desconfiar dos olhos; a segunda ensinava a desconfiar de substantivos sem unidade.