O salão encheu-se de moléculas. Lia já não via elétrons emprestados entre átomos completos. Via estados construídos no campo de vários núcleos, antissimetrizados, correlacionados e acompanhados por movimento nuclear quantizado.
Ligação de valência destacava pares, ressonância e localidade. Orbitais moleculares destacavam simetria, deslocalização e ocupações. Híbridos reorganizavam uma base. Estruturas de Lewis comprimiam conectividade e carga formal. Cada linguagem iluminava perguntas e escondia detalhes.
Tomás recusou escolher um desenho como fotografia final. Observáveis eram energias, geometrias, densidades, frequências, momentos e taxas. Orbitais e estruturas ajudavam a calculá-los e interpretá-los, mas podiam mudar sob transformações sem alterar o estado físico completo.
A cola vinha de uma balança: atração e repulsão coulombianas, energia cinética, exclusão e correlação criavam mínimos. Nenhum termo isolado era a essência universal de toda ligação. A estabilidade pertencia ao total.
Essa visão também explicava ruptura. Alongar uma ligação mudava a mistura de configurações; em algum ponto, fragmentos tornavam-se descrição melhor. Luz ou colisões podiam levar a superfícies excitadas, cruzamentos e produtos diferentes.
Na parede seguinte, moléculas repetiram-se em uma rede cristalina. Orbitais de dois centros espalharam-se por milhões de células e níveis discretos engrossaram em bandas. A diferença entre isolante e metal nasceria de ocupação, simetria e lacunas de energia.
Lia deixou a molécula vibrando e seguiu para o sólido. A cola invisível não desapareceria; mudaria de escala. Quando estados se estendessem por um cristal, a pergunta deixaria de ser quantas varetas ligavam vizinhos e passaria a ser quais ondas podiam atravessar a rede.