Na borda da zona, ondas que viajavam em sentidos opostos satisfaziam a condição de Bragg e se misturavam. Combinações estacionárias concentravam densidade em regiões diferentes do potencial e adquiriam energias distintas. Entre elas abria-se uma lacuna.
Lia tentou colocar um elétron no meio do intervalo. Não havia autoestado estendido daquela energia no cristal ideal. O gap não era uma parede espacial; era ausência de soluções na estrutura de bandas.
A largura e posição das lacunas dependiam do potencial periódico, da simetria e dos orbitais. Em mais dimensões, bandas podiam sobrepor-se em algumas direções ou tocar-se em pontos, linhas e superfícies.
Uma banda totalmente preenchida não carregava corrente líquida sob pequeno campo no retrato simples porque contribuições de k opostos se cancelavam e estados vizinhos disponíveis faltavam. Uma banda parcialmente preenchida permitia rearranjos próximos à energia de Fermi.
Tomás classificou: metal quando há estados disponíveis na energia de Fermi; isolante de bandas quando bandas ocupadas estão separadas das vazias por grande gap; semicondutor quando o gap é menor e portadores podem ser ativados ou introduzidos.
A classificação tinha limites. Um sistema com banda parcialmente preenchida pode tornar-se isolante por correlações fortes, como num isolante de Mott. Desordem também pode localizar estados. Ausência de condução não prova automaticamente uma banda cheia.
O silêncio do gap tornou-se visível como falta de absorção abaixo de certa energia idealizada. Lia percebeu que conduzir dependia menos de quantos elétrons existiam que de quais estados próximos podiam mudar de ocupação.