Em 1952, David Bohm apresentou uma interpretação com variáveis adicionais. A função de onda continuava obedecendo à equação de Schrödinger, enquanto partículas possuíam posições definidas. Uma equação de guia determinava suas velocidades a partir da fase e da configuração.
Na dupla fenda, cada partícula seguia uma trajetória por uma abertura, mas a onda atravessava o arranjo e guiava a distribuição de impactos. Trajetórias não eram as parábolas newtonianas de uma força comum; dependiam da forma complexa da função de onda e do contexto experimental.
Se as configurações iniciais fossem distribuídas segundo |ψ|², a dinâmica preservaria essa distribuição, propriedade chamada equivariância. Observadores sem acesso às posições exatas recuperariam a regra de Born e as mesmas estatísticas usuais em equilíbrio quântico.
Lia colocou duas partículas emaranhadas longe uma da outra. A função de onda vivia no espaço de configuração do conjunto, não em dois campos independentes no espaço comum. A velocidade de uma partícula podia depender da configuração distante. A teoria aceitava explicitamente a não localidade exigida pelos testes de Bell.
Resultados de medição eram posições de ponteiros. Não havia colapso fundamental; quando pacotes da função de onda se separavam e apenas um continha a configuração real, os demais se tornavam ondas vazias efetivamente desacopladas para aquele registro.
Tomás marcou custos e virtudes. A ontologia de partículas e trajetórias fornecia resultados únicos e dinâmica precisa, mas escolhia uma configuração privilegiada e enfrenta trabalho técnico para formulações relativísticas e criação de partículas. Spin, nesse mapa, não precisa ser uma pequena seta adicional carregada pela partícula.
A partícula atravessou uma fenda sem devolver o mundo clássico. Sua trajetória era contextual, guiada por um estado global não local. Bohm mostrava que determinismo sobrevivia, mas não a separabilidade local que Einstein desejara preservar.