Tomás colocou uma pequena etiqueta quântica em cada passagem. Pela esquerda, o marcador terminava no estado |L⟩; pela direita, no estado |R⟩. Se os estados fossem perfeitamente distinguíveis, alguém poderia descobrir o caminho medindo o marcador depois.
O estado completo tornou-se ψ₁|L⟩+ψ₂|R⟩. Ao calcular apenas a distribuição na tela e ignorar o marcador, o termo cruzado vinha multiplicado por ⟨L|R⟩. Se os rótulos fossem ortogonais, esse produto seria zero e as franjas desapareceriam.
Nenhuma mente precisava abrir o arquivo. O simples fato de os caminhos deixarem registros fisicamente distinguíveis bastava para impedir sua interferência no padrão não condicionado. ‘Observar’ significava interação e correlação, não consciência humana projetando realidade.
Lia fez os rótulos parcialmente sobrepostos. Alguma informação de caminho ficou disponível, mas não perfeita; as franjas perderam contraste sem desaparecer completamente. Distinguibilidade e visibilidade variavam de modo contínuo, não como interruptores metafísicos.
A desigualdade de Englert resume o compromisso idealizado por D²+V²≤1, onde D mede quão bem os caminhos podem ser distinguidos e V mede a visibilidade das franjas. Conhecimento perfeito de caminho e contraste perfeito não coexistem no mesmo conjunto de dados.
Experimentos de Dürr, Nonn e Rempe com átomos mostraram que a perda de interferência por marcação de caminho não precisava ser explicada por um recuo de momento grande o bastante para embaralhar mecanicamente as franjas. A correlação com graus de liberdade internos fornecia a distinção.
Tomás removeu as etiquetas antes de a partícula entrar e as franjas voltaram. Lia corrigiu outra frase comum: medir não destrói interferência porque ‘perturba de qualquer jeito’. Destrói quando a interação torna alternativas distinguíveis ou degrada sua fase de modo relevante.