Lia girou a base em que o marcador seria lido. Em vez de perguntar diretamente esquerda ou direita, mediu combinações |+⟩ e |−⟩. Separou os eventos da tela conforme o resultado do marcador. Dois padrões apareceram: franjas deslocadas entre si, uma com máximos onde a outra tinha mínimos.
Somados sem separação, os padrões complementares se cancelavam e devolviam uma distribuição sem franjas. Condicionados ao resultado do marcador, cada subconjunto conservava coerência numa base diferente. Nada precisava viajar para apagar ou desenhar retroativamente pontos já registrados.
Essa lógica é chamada apagador quântico em muitas realizações. O nome pode sugerir que informação clássica foi destruída depois de influenciar o passado. Na verdade, a escolha de base determina quais correlações são reveladas ao comparar registros. O histograma total da tela não muda.
Tomás embaralhou a ordem temporal das leituras. Mesmo que o marcador fosse medido depois da posição, as estatísticas conjuntas obedeciam ao mesmo estado correlacionado. Não era possível usar a escolha tardia para enviar mensagem ao detector anterior, porque os subconjuntos só apareciam após reunir os dados por comunicação comum.
Lia notou que ‘informação disponível’ precisava ser usada com rigor. Se os estados de caminho são ortogonais, existe em princípio uma medição que os distingue. Medir numa base complementar não apaga fisicamente toda correlação; reorganiza os resultados em classes onde fases relativas reaparecem.
O exemplo também mostrava por que olhar apenas para um subsistema pode parecer irreversível. O estado conjunto pode evoluir unitariamente enquanto a tela, sozinha, perde termos de interferência ao ignorar o marcador. A decoerência começava como emaranhamento e contabilidade parcial.
Os dois arquivos foram recombinados e as franjas desapareceram na soma. Lia não viu paradoxo, mas seleção estatística. A realidade não fora reescrita; o conjunto completo sempre contivera correlações capazes de formar padrões diferentes conforme a pergunta conjunta.