Sumário
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Salvando leitura…
A luz não precisava ter massa de repouso para empurrar

Momento para algo sem massa

Compton e o momento carregado pela luz

Capítulo 3 · O choque do invisível
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Lia conhecia momento pela mecânica: massa vezes velocidade. Se um quantum de luz não tinha massa de repouso, como poderia carregar momento? Tomás abriu uma gaveta do Arquivo marcada RELATIVIDADE e retirou uma relação que unia energia, momento e massa.

Para uma partícula livre, a relatividade especial estabelece E²=p²c²+m²c⁴. Quando a massa de repouso é zero, resta E=pc. Com a relação quântica E=hν e a identidade c=λν no vácuo, o momento do fóton é p=h/λ.

A equação não dizia que o fóton possuía uma pequena massa clássica escondida. Dizia que energia e momento formam uma estrutura relativística na qual objetos sem massa de repouso ainda carregam ambos. A direção do vetor momento é a direção de propagação.

Tomás desenhou duas setas de mesmo comprimento que formavam um ângulo. Mudar a direção do fóton mudava seu vetor momento mesmo que sua energia permanecesse igual. No efeito Compton, energia também mudava. A diferença vetorial entre o momento inicial e o final precisava aparecer no elétron de recuo.

Lia tentou conservar apenas os módulos e obteve contradições. Momento tem direção; deve ser conservado componente por componente. Energia, por outro lado, entra como escalar. Resolver a colisão exigia as duas conservações simultaneamente e a relação relativística para o elétron após o impacto.

A pressão da radiação já mostrava que luz transfere momento a superfícies, e Maxwell podia descrever esse empurrão pelo campo. O passo de Compton era mais específico: em um evento individual, a mudança de direção e energia de um quantum correlacionava-se ao recuo de um elétron segundo uma cinemática definida.

No caderno, Lia escreveu p=h/λ ao lado de E=hν. As duas relações ligavam propriedades ondulatórias — frequência e comprimento de onda — a grandezas usadas na linguagem de partículas — energia e momento. A dualidade não era um concurso de metáforas. Estava costurada nas equações.

Fontes desta página

  1. Albert Einstein (1905). Über einen die Erzeugung und Verwandlung des Lichtes betreffenden heuristischen Gesichtspunkt.Annalen der Physik, 322(6), 132–148. Propõe quanta de luz e obtém a lei do efeito fotoelétrico.
  2. Arthur H. Compton (1923). A Quantum Theory of the Scattering of X-rays by Light Elements.Physical Review, 21, 483–502. Deriva o deslocamento angular do comprimento de onda de raios X por conservação de energia e momento entre um quantum e um elétron.
  3. National Institute of Standards and Technology (2019). Fundamental Physical Constants — Planck constant.NIST/CODATA. Valor exato de h no Sistema Internacional: 6,62607015 × 10⁻³⁴ J·s.